LIVROS | Análise do livro As tranças de Bintou, 2010, de Sylviane Anna Diouf


  • Autor: Sylviane Anna Diouf.
  • Arte: Shane W. Evans.
  • Editora: Cosac Nayf.
  • Ano: 2010.
  • Páginas: 32.
  • Faixa etária: de 5 até 9 anos.
  • Sinopse e comentários:
    O livro conta a história de Bintou, uma jovem menina que sonha em ter tranças enfeitadas com conchas, mas como ela ainda é uma criança, tudo o que pode ter são quatro birotes (coques) na cabeça. Bintou possui uma irmã mais velha chamada Fatou, a menina gostaria muito de ter as tranças iguais às de sua irmã. 

    A obra trata muito forte a cultura africana, e destaca a indumentária em todos os momentos, nos birotes, sendo destinados a crianças, e as tranças as quais carregam em suas pontas moedas de ouro, que segundo Bintou: “É para mostrar a nós, crianças, como nossas tataravós, que nunca conhecemos, penteavam o cabelo” (p. 18). E nas roupas de sua avó Soukeye: “Vovó Soukeye está vindo nos visitar para o batizado de meu irmão [...]. E aqui está ela, com seu lindo vestido azul. Ou seja, as tranças como tradição junto com roupas coloridas, as quais retratam perfeitamente a cultura a qual a história está retratando. Ao desenrolar da história a jovem Bintou tem contato com uma menina brasileira, amiga de sua prima, onde lhe pergunta se as meninas do Brasil usam tranças.

    Bintou em um dia, andando pela praia avista dois rapazes se afogando, corre em direção a comunidade, pelo trajeto mais rápido, porém, mais perigoso, cheio de plantas espinhosas e pedras pontiagudas, e com sua bravura salva os jovens, sua mãe como recompensa lhe pergunta o que mais deseja, e logo sua irmã fala que Bintou gostaria muito de ter tranças. No dia seguinte sua avó Soukeye lhe chama e começa a arrumar seu cabelo, no final quando Bintou abre os olhos e enxerga seu reflexo no espelho, vê que sua avó tinha colocado pequenos pássaros coloridos pendurados em seus birotes, onde deixa a menina muito contente. Onde encerra: “Eu sou Bintou. Meu cabelo é negro e brilhante. Meu cabelo é macio e bonito. Eu sou a menina dos pássaros no cabelo. O sol me segue, e estou muito feliz” (p. 30). A ilustração e a escrita se completam, onde em momentos a imagem fala muito mais que a escrita. De forma colorida, Shane W. Evans ilustrou de forma que a cultura afro ficasse evidente em cada detalhe.
Figura 1. As tranças de Bintou (p. 31)

    A história mostra uma menina que não estava contente com seu cabelo, ela queria ter o mesmo penteado que a irmã mais velha, porém ela só poderia tê-los quando mais velha. A história mostra que crianças também podem e devem ser responsável, mesmo que estando envolto de um discurso autoritário em determinados momentos e que por traz de um penteado há uma cultura que resiste. Com leitura simples e com muitas imagens o livro é bem didático, traz principalmente, como dito inicialmente a passagem da infância para a adolescência, a família presente em todo o momento querendo que a menina se preocupasse apenas em brincar e fazer amigos.

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